A República de Platão é o livro mais conhecido do filósofo grego. Contudo, em "O Banquete", também conhecido como Simpósio, Platão vai discutir as naturezas do amor e da alma.
No fundo, a balança é uma patriota: só respeita o peso do cidadão terrestre.
Se vivesse em Marte, tornar-se-ia imediatamente magro, e em Plutão seria apenas uma silhueta insignificante a desafiar a física.
O problema nunca foi o pão, mas a escolha do planeta. A nossa obsessão pelo peso evidencia aquilo que a ciência já sugere: o universo inteiro tem uma política de quotas diferente.
Moral da história: se alguém @ rotular de pesad@, responda com elegância cósmica: «Neste planeta, sou vítima da injustiça gravitacional!»
Nesta época de pragmatismos e hierarquias de urgência, sonhar é quase subversivo, quase ridículo.
Talvez nos tenhamos esquecido que todo o progresso, toda a ideia nova e toda a esperança nascem do devaneio, desse fresco atrevimento de querer mais.
Se é verdade que são tempos áridos para quem sonha, talvez seja, justamente, porque os sonhadores fazem cócegas ao medo e lembram aos outros que viver, afinal, é não se habituar apenas a sobreviver.
Há escadas tão estreitas que até a intimidade pede licença para passar.
Se se cruzar com alguém a meio caminho, a lei do trânsito impõe: espere pacientemente e não tente ultrapassagens proibidas, sob pena de colisão de cotovelos.
A vida, tal como esta passagem, obriga-nos a parar, observar o sinal e, às vezes, carregar num botão só para ver se muda a sorte.
Haja paciência para red lights no percurso da rotina!
"De todos os sentidos, a vista é o mais superficial, o ouvido o mais orgulhoso, o olfacto o mais voluptuoso, o gosto o mais supersticioso e inconstante, o tacto o mais profundo." Denis Diderot
Há momentos em que só nos resta confiar no instinto, sentir a presença do outro no abraço e ignorar o mundo lá fora.
Vendados pela adversidade, guiados pelo calor de quem nos protegia na infância, somos todos crianças tateando o escuro, aprendendo que, às vezes, abrir os olhos não é o suficiente para ver.
O verdadeiro caminho revela-se no toque, na voz e no pulsar do medo, onde a coragem é aceitar ser guiado por quem nos ama.
Quando uma plataforma fecha a porta, quem paga a luz?
O anúncio da descontinuação do SAPO Blogs, feito a 12 de janeiro de 2026, marca o fim de uma era. A cronologia é clara: a 30 de junho encerra-se a área de gestão, e no final de novembro apagam-se todos os conteúdos, sem hipótese de recuperação. O motivo invocado? A perda de relevância dos blogs face às redes sociais. É legítimo que um serviço termine. Mas é igualmente legítimo questionar os riscos, as implicações legais e a quebra de confiança que esta decisão impõe a quem confiou a sua obra a esta plataforma.
O que está em jogo: obras, leitores e memória digital
Apagão anunciado: depois de novembro, tudo desaparece. Textos, comentários, imagens, personalizações.
Imagens órfãs: o ficheiro XML preserva textos e datas, mas não inclui imagens. Estas terão de ser descarregadas manualmente.
Comunidades fragmentadas: subscrições não transitam, e os leitores terão de ser avisados da nova morada.
Não se trata apenas de tecnologia. Trata-se de património cultural, de esforço intelectual e de relações construídas ao longo de anos.
A moldura legal: direitos e deveres
Em Portugal, os textos publicados num blog são obras protegidas pelo Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos. O autor mantém direitos morais e patrimoniais, mas a descontinuação dificulta o exercício desses direitos, impondo uma corrida contra o tempo para salvar conteúdos.
Do ponto de vista do consumidor, o Decreto-Lei n.º 84/2021 regula serviços digitais e impõe deveres de informação e conformidade. O encerramento pode estar previsto nos termos do serviço, mas exige comunicação clara, prazos razoáveis e ferramentas eficazes para exportação. O RGPD reforça o direito à portabilidade dos dados pessoais, mas não garante a perpetuidade do alojamento das obras.
Em suma: não há obrigação legal de manter o serviço para sempre, mas há deveres de transparência e boa fé. Se falharem, pode discutir-se responsabilidade.
Compensações? Difícil, mas não impossível
Num serviço gratuito, a indemnização é improvável. O que se pode exigir é:
Excelência na exportação (posts, comentários, imagens).
Prazos adequados para migração.
Comunicação eficaz para minimizar danos.
Quebra de confiança: a fatura moral
Mais do que uma questão jurídica, é uma questão ética. Autores tomaram decisões editoriais contando com a continuidade do SAPO Blogs. Agora, enfrentam custos invisíveis: tempo, esforço técnico e perda de contexto. A lição é clara: não confiar cegamente em plataformas gratuitas. Backups regulares e autonomia tecnológica são indispensáveis.
Plano de salvamento para autores
Exportar tudo: XML para posts e comentários; descarregar imagens manualmente.
Escolher nova plataforma: WordPress.com (flexível) ou Blogger (simples).
Importar e reconstruir: verificar datas, reupload de imagens.
Avisar leitores: publicar a nova morada antes de 30 de junho.
A Internet não é eterna...
O fim do SAPO Blogs é um alerta: a internet não é eterna. A lei protege direitos, mas não garante continuidade. Cabe às plataformas agir com responsabilidade e aos autores garantir que o seu trabalho não se perde no apagão digital.
Este espaço continuará vivo: no dia 5 de abril, migrará para uma nova casa no Blogger, mantendo o compromisso com os leitores e a mesma essência de reflexão e escrita.
Há quem viva de joelhos, outros deitados à sombra das conveniências.
Eu escolhi andar sobre os meus pés, tropeçando, caindo, levantando-me. Cada passo custou-me o preço da consciência, esse peso que só quem sente profundamente conhece.
Viver, às vezes, dói. Mas dói mais não viver.
Mia Couto tem razão: há cansaços que purificam e silêncios que curam. Continuo a andar, não por heroísmo, mas porque desistir seria morrer em pé.
Há homens que acreditam que a virilidade se mede ao centímetro, e mulheres que a avaliam ao milímetro. No fim, o que sobra é o vazio do olhar e o silêncio do ridículo.
A caricatura não é sobre sexo, é sobre a expectativa: o eterno descompasso entre o que se promete e o que se entrega. Porque, no fundo, muitos vivem da ilusão do “grande”, quando o verdadeiro problema é a pequenez. A da alma.
Até o ar azul se tornou grades E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite Densa de chacais Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Vivemos um tempo estranho: o asfalto engole raízes e a humanidade ajoelha-se diante da mais frágil persistência.
Olho para a figura imóvel, esmagada pelo peso da gravata e da rotina, e penso na selva obscura de Sophia, onde até o sol se suja e até o ar nos condena.
Renunciámos ao espanto e à esperança, mas a flor, teimosa, rompe a dureza do chão e aponta uma possível redenção em meio ao absurdo.
Entre grades invisíveis, há sempre algo que floresce para desmentir a resignação dos homens.