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O Banquete

A República de Platão é o livro mais conhecido do filósofo grego. Contudo, em "O Banquete", também conhecido como Simpósio, Platão vai discutir as naturezas do amor e da alma.

Brincadeiras na cama: expectativa vs. realidade

31.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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Quando um dos parceiros diz que quer "umas palhaçadas na cama", a ingenuidade pode levar a interpretações... inusitadas.

Não é difícil fazer confusão entre o divertido e o grotesco, entre um palhaço encantador e um palhaço literal.

A vida a dois e a comunicação falham estrondosamente quando um só ouve o que lhe interessa.

No fundo, fica a lição: pedir mais alegria à rotina requer subtileza, não circos ambulantes.

Não é gordura, é gravidade: crónicas de um corpo fora de órbita

30.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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No fundo, a balança é uma patriota: só respeita o peso do cidadão terrestre.

Se vivesse em Marte, tornar-se-ia imediatamente magro, e em Plutão seria apenas uma silhueta insignificante a desafiar a física.

O problema nunca foi o pão, mas a escolha do planeta. A nossa obsessão pelo peso evidencia aquilo que a ciência já sugere: o universo inteiro tem uma política de quotas diferente.

Moral da história: se alguém @ rotular de pesad@, responda com elegância cósmica: «Neste planeta, sou vítima da injustiça gravitacional!»

Sonhar: atentado poético em tempos de cinismo

29.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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O sonho tornou-se, hoje, um ato de resistência.

Nesta época de pragmatismos e hierarquias de urgência, sonhar é quase subversivo, quase ridículo.

Talvez nos tenhamos esquecido que todo o progresso, toda a ideia nova e toda a esperança nascem do devaneio, desse fresco atrevimento de querer mais.

Se é verdade que são tempos áridos para quem sonha, talvez seja, justamente, porque os sonhadores fazem cócegas ao medo e lembram aos outros que viver, afinal, é não se habituar apenas a sobreviver.

Trânsito de peões: quando sobe um, esperam dois

28.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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Há escadas tão estreitas que até a intimidade pede licença para passar.

Se se cruzar com alguém a meio caminho, a lei do trânsito impõe: espere pacientemente e não tente ultrapassagens proibidas, sob pena de colisão de cotovelos.

A vida, tal como esta passagem, obriga-nos a parar, observar o sinal e, às vezes, carregar num botão só para ver se muda a sorte.

Haja paciência para red lights no percurso da rotina!

Olhos vendados, corações despertos

27.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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"De todos os sentidos, a vista é o mais superficial, o ouvido o mais orgulhoso, o olfacto o mais voluptuoso, o gosto o mais supersticioso e inconstante, o tacto o mais profundo."
Denis Diderot

Há momentos em que só nos resta confiar no instinto, sentir a presença do outro no abraço e ignorar o mundo lá fora.

Vendados pela adversidade, guiados pelo calor de quem nos protegia na infância, somos todos crianças tateando o escuro, aprendendo que, às vezes, abrir os olhos não é o suficiente para ver.

O verdadeiro caminho revela-se no toque, na voz e no pulsar do medo, onde a coragem é aceitar ser guiado por quem nos ama.

Entre o mar e a lua: um beijo suspenso no azul

26.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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Poema Azul

 
O mar beijando a areia
O céu e a lua cheia
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu
E a lua cheia
Que prateia os cabelos do meu bem
Que olha o mar beijando a areia
E uma estrelinha solta no céu
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu e a lua cheia
um beijo meu
🌺
 
Sophia de Mello Breyner
Poema Azul e Mar Sonoro
 

Há instantes em que o mundo se resume a um diálogo silencioso entre mar e céu.

A areia, cúmplice, guarda segredos de passos e promessas.

A lua, vaidosa, prateia cabelos e sonhos, enquanto uma estrela ousa cair, como quem desafia a eternidade.

Nesse cenário, o amor não precisa de palavras.

Basta o reflexo. Basta o azul. Basta um beijo que se prolonga no horizonte.

Entre o download e o apagão: riscos, direitos e a fatura moral do fim do SAPO Blogs

25.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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Quando uma plataforma fecha a porta, quem paga a luz?

O anúncio da descontinuação do SAPO Blogs, feito a 12 de janeiro de 2026, marca o fim de uma era. A cronologia é clara: a 30 de junho encerra-se a área de gestão, e no final de novembro apagam-se todos os conteúdos, sem hipótese de recuperação. O motivo invocado? A perda de relevância dos blogs face às redes sociais. É legítimo que um serviço termine. Mas é igualmente legítimo questionar os riscos, as implicações legais e a quebra de confiança que esta decisão impõe a quem confiou a sua obra a esta plataforma.


O que está em jogo: obras, leitores e memória digital

  • Apagão anunciado: depois de novembro, tudo desaparece. Textos, comentários, imagens, personalizações.
  • Imagens órfãs: o ficheiro XML preserva textos e datas, mas não inclui imagens. Estas terão de ser descarregadas manualmente.
  • Comunidades fragmentadas: subscrições não transitam, e os leitores terão de ser avisados da nova morada.

Não se trata apenas de tecnologia. Trata-se de património cultural, de esforço intelectual e de relações construídas ao longo de anos.


A moldura legal: direitos e deveres

Em Portugal, os textos publicados num blog são obras protegidas pelo Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos. O autor mantém direitos morais e patrimoniais, mas a descontinuação dificulta o exercício desses direitos, impondo uma corrida contra o tempo para salvar conteúdos.

Do ponto de vista do consumidor, o Decreto-Lei n.º 84/2021 regula serviços digitais e impõe deveres de informação e conformidade. O encerramento pode estar previsto nos termos do serviço, mas exige comunicação clara, prazos razoáveis e ferramentas eficazes para exportação. O RGPD reforça o direito à portabilidade dos dados pessoais, mas não garante a perpetuidade do alojamento das obras.

Em suma: não há obrigação legal de manter o serviço para sempre, mas há deveres de transparência e boa fé. Se falharem, pode discutir-se responsabilidade.


Compensações? Difícil, mas não impossível

Num serviço gratuito, a indemnização é improvável. O que se pode exigir é:

  • Excelência na exportação (posts, comentários, imagens).
  • Prazos adequados para migração.
  • Comunicação eficaz para minimizar danos.

 

Quebra de confiança: a fatura moral

Mais do que uma questão jurídica, é uma questão ética. Autores tomaram decisões editoriais contando com a continuidade do SAPO Blogs. Agora, enfrentam custos invisíveis: tempo, esforço técnico e perda de contexto. A lição é clara: não confiar cegamente em plataformas gratuitas. Backups regulares e autonomia tecnológica são indispensáveis.


Plano de salvamento para autores

  1. Exportar tudo: XML para posts e comentários; descarregar imagens manualmente.
  2. Escolher nova plataforma: WordPress.com (flexível) ou Blogger (simples).
  3. Importar e reconstruir: verificar datas, reupload de imagens.
  4. Avisar leitores: publicar a nova morada antes de 30 de junho.

A Internet não é eterna...

O fim do SAPO Blogs é um alerta: a internet não é eterna. A lei protege direitos, mas não garante continuidade. Cabe às plataformas agir com responsabilidade e aos autores garantir que o seu trabalho não se perde no apagão digital.

Este espaço continuará vivo: no dia 5 de abril, migrará para uma nova casa no Blogger, mantendo o compromisso com os leitores e a mesma essência de reflexão e escrita.

 

As dores de quem caminha de verdade

25.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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Há quem viva de joelhos, outros deitados à sombra das conveniências.

Eu escolhi andar sobre os meus pés, tropeçando, caindo, levantando-me. Cada passo custou-me o preço da consciência, esse peso que só quem sente profundamente conhece.

Viver, às vezes, dói. Mas dói mais não viver.

Mia Couto tem razão: há cansaços que purificam e silêncios que curam. Continuo a andar, não por heroísmo, mas porque desistir seria morrer em pé.

 

O tamanho da desilusão

24.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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Há homens que acreditam que a virilidade se mede ao centímetro, e mulheres que a avaliam ao milímetro. No fim, o que sobra é o vazio do olhar e o silêncio do ridículo.

A caricatura não é sobre sexo, é sobre a expectativa: o eterno descompasso entre o que se promete e o que se entrega. Porque, no fundo, muitos vivem da ilusão do “grande”, quando o verdadeiro problema é a pequenez. A da alma.

Ecos na selva das almas renunciadas

23.01.26 | Servido por José Manuel Alho

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"Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam."

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Vivemos um tempo estranho: o asfalto engole raízes e a humanidade ajoelha-se diante da mais frágil persistência.

Olho para a figura imóvel, esmagada pelo peso da gravata e da rotina, e penso na selva obscura de Sophia, onde até o sol se suja e até o ar nos condena.

Renunciámos ao espanto e à esperança, mas a flor, teimosa, rompe a dureza do chão e aponta uma possível redenção em meio ao absurdo.

Entre grades invisíveis, há sempre algo que floresce para desmentir a resignação dos homens.

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