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O Banquete

A República de Platão é o livro mais conhecido do filósofo grego. Contudo, em "O Banquete", também conhecido como Simpósio, Platão vai discutir as naturezas do amor e da alma.

A propósito do 111º aniversário do Jornal de Albergaria.

12.05.22 | Servido por José Manuel Alho

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Durante largos e felizes anos, fui colaborador assíduo do Jornal de Albergaria, muito por força de um repto indeclinável do seu Diretor à época, Dr. Mário Jorge Pinto. Por razões que também ajudarão a explicar – ainda hoje – a insuficiência de apoio(s) e de reconhecimento da imprensa local e regional, seguiu-se um interregno na sua publicação que, mais tarde, conheceu o seu termo graças ao arrojo militante de Paulo Jonas Simões.

Sempre defendi que a imprensa escrita local é mais autêntica, menos prolixa, mais simples. Retrata um universo onde somos atores, com maior ou menor protagonismo, em função do papel que aceitamos desempenhar na comunidade. Interfere com os nossos interesses de trabalhadores, de moradores, de dirigentes associativos; dá-nos conhecimento(s) das festas da nossa terra, dos resultados dos clubes desportivos; do nosso familiar ou amigo que casou ou emigrou. Em resumo, arrisco (mesmo) afirmar que a imprensa local continua muito mais humanizada.

Em função deste lastro, lembro ainda um tempo em que a ausência de notícias, exponenciada pela inexistência da internet ou do telemóvel, obrigava as pessoas a sair de casa, quase em romaria, e a procurar as novidades nas gordas e nas miúdas dos jornais locais. Era um ritual. Falava-se da bola, acicatava-se a mais recente trica política, comentavam-se os crimes e até por que razão os buracos nas ruas teimavam em reaparecer dias após serem reparados.

A Imprensa local é, de modo incontroverso, um meio de comunicação com forte relevância pública no que concerne à divulgação dos acontecimentos políticos, sociais, desportivos e culturais. Ademais, contribui para o armazenamento e o enriquecimento do acervo cultural e histórico da localidade onde se inclui.

Este vínculo telúrico tem ainda o condão de promover o desenvolvimento da comunidade local, tornando-a mais informada e conectada às suas raízes, já que, quem compra estes jornais ou os lê num dos cafés da terra, ou na sala de espera de um consultório, dará importância às notícias reportadas de uma forma (muito) mais sentida. São factos ou acontecimentos próximos da sua vida quotidiana. Assuntos que inquietam. Questões que preocupam.

Cumulativamente, a imprensa local – mesmo quando se socorre da imagem – prioriza a escrita. E escrever é acomodar ideias. É dá-las a conhecer aos outros concidadãos. É aceitar o diálogo e o debate de opiniões. É qualquer coisa que se lê, que se guarda em recorte e se perpetua na memória porque se pode reler ou consultar no futuro. Um artigo de jornal é uma peça histórica. O jornalismo escrito é, em suma, perene.

Sempre defendi que a imprensa escrita local é mais autêntica, menos prolixa, mais simples. Retrata um universo onde somos atores, com maior ou menor protagonismo, em função do papel que aceitamos desempenhar na comunidade. Interfere com os nossos interesses de trabalhadores, de moradores, de dirigentes associativos; dá-nos conhecimento(s) das festas da nossa terra, dos resultados dos clubes desportivos; do nosso familiar ou amigo que casou ou emigrou. Em resumo, arrisco (mesmo) afirmar que a imprensa local continua muito mais humanizada.

A transição acelerada para canais de distribuição digitais, a alteração dos hábitos de consumo e a diminuição das receitas publicitárias comprometem a viabilidade comercial e a independência dos meios de comunicação social locais. Mantenhamo-nos, por isso, vigilantes.

No entanto, o Jornal de Albergaria (JA) tem revelado estar atento a tudo o que se passa nesta terra e, através da sua publicação, dá-nos uma grande opção ao ponto de o sentirmos como exemplo informativo. Parabéns ao JA e votos sinceros de que o futuro continue a sorrir-lhe. Para bem do Jornal de Albergaria, de quem o dirige e de quem nele e com ele colabora. E, principalmente, de quem o lê!